O meu puerpério
Depois de um parto super tranquilo, tive alta e tomei um susto quando chegamos em casa. Me vi diante de uma série de problemas. Me sentia sozinha, só tinha vontade de chorar e me perguntava o que tinha feito da vida e lógico, sendo corroída pela culpa logo depois.
Estava vivenciando meu puerpério, que é o período pós parto, o momento seguinte ao nascimento de um filho, que é de extrema vulnerabilidade para a mulher e sobre o qual pouco se fala.
De duração variável, trata-se de um período que ultrapassa a questão biológica do desequilíbrio hormonal. Não é só a adaptação à chegada de um bebê. É um período de reconstrução da identidade da mulher, de toda a forma como ela vê a vida.
Ao mesmo tempo em que há o início de uma nova vida, há um profundo processo de luto, de despedida da mulher que se era, livre e sem filhos, para esta mãe, com um pequeno ser que chora muito e que depende quase exclusivamente dela. Quando a mulher tem um bebê, ela descobre que fez um compromisso com a eternidade.
Por outro lado, há uma conexão com o bebê porque a mãe tem dentro de si esse cuidado. Outra dificuldade é que, até então, a mulher cuida da sua vida e, com o nascimento do bebê, precisa colocá-lo em primeiro lugar. Isso pesa muito, dá muito medo.
Você não se prepara para ser mãe ou pai, é impossível, porque não tem um filho, mas aquele filho. É sempre uma novidade, sempre há estranhamento. A relação entre mãe e filho é de estranhos íntimos, estamos constantemente nos redescobrindo.
Depois desse turbilhão de sentimentos, essa fase passa (amém) e o vínculo com nosso bebê fica cada dia mais forte.
Precisamos falar mais sobre esse assunto, chega de romantização em cima desse assunto. Na teoria é lindo mas a realidade é muito diferente!

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